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domingo, maio 15, 2005

D'ouro

Nas vertentes cavadas em socalco crescia a vinha.
Era ali a terra pobre donde nasce o bom vinho. Quanto mais pobre é a terra, mais rico é o vinho. O vinho onde, como num poema, ficam guardados o sabor das flores e da terra, o gelo do Inverno, a doçura da Primavera e o fogo dos estios. E dizia-se que o vinho daquelas encostas, como um bom poema, nunca envelhecia.

In O Jantar do Bispo, Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner Andresen

Este foi para mim um dos contos mais exemplares que já alguma vez li acerca da realidade duriense e da relação entre o poder económico dos proprietários com os seus trabalhadores e o poder da igreja...

Tão exemplar como esta frase única de um transmontano marcado pela sua identidade....

Doiro, rio e região, é talvez a realidade mais séria que temos
In Portugal, Miguel Torga

sábado, abril 09, 2005

Praia das Maçãs - Sintra

Mar que atrai inexplicavelmente.

Onde tudo terminará.
E a minha serenidade começará...


Praia das Maçãs deve o seu nome ao facto de o rio que ali vai desaguar ter corrido, em tempos, entre pomares de macieiras, pelo que a fruta, quando estava madura, caía na água e ia ter à praia. À volta do areal instalaram-se várias casas de comércio, desde restaurantes a cafés e bares, tal como casas de artesanato local, pelo que o local se tornou um ponto de encontro dos sintrenses, que aproveitam as suas esplenadas e a excelente comida, de Verão ou estaurantes a cafés e bares, tal como casas de artesanato local, pelo que o local se tornou um ponto de encontro dos sintrenses, que aproveitam as suas esplenadas e a excelente comida, de Verão ou de Inverno. Junto à praia, há também uma piscina de água salgada.

Fica a cerca de 10 km de Sintra, e poderão viajar desde esta vila até à Praia no eléctrico que celebrou os 100 anos em Junho de 2004, data em que o mesmo restabeleceu a sua ligação pela totalidade, já que nos anos anteriores a circulação realizava-se apenas entre Colares - Praia das Maçãs, e mais tarde entre Ribeira de Sintra - Praia das Maçãs. Actualmente, já poderão fazer o percurso completo como há 30 anos atrás.

Aqui fica uma pequena imagem desse mesmo eléctrico:


in Portugal Virtual

segunda-feira, outubro 11, 2004

Melides - Costa Vicentina, Alentejo


Esta pacata Aldeia (Melides) está situada no litoral Alentejano, no enfiamento de Grândola, ficando entre Tróia (40 Kms) e Sines (30 Kms).
A Aldeia de Melides ainda se mantém com os traços duma típica Aldeia Alentejana, sendo também possível deslumbrar algumas construções mais modernas.
A sua Igreja está situada no largo onde também se encontra o mercado, uma papelaria, uma mercearia e alguns cafés, para além de alguns restaurantes onde se podem petiscar algumas das iguarias típicas da região.


A Praia de Melides encontra-se a 5 Kms da Aldeia, sendo designada por Lagoa de Melides, pois além do mar a referida fonte corre até ao mar, formando uma lagoa.
Esta praia está no alinhamento de mais algumas praias que se encontram entre Troia e Sines, pois entre estas duas terras existe uma imensidão de areia parcendo ser só uma praia.
À praia de Melides já á muito tempo que é concedida a bandeira Azul, pois tanto a sua areia, que é limpa todos os anos, no início da época balnear, como a água são de excelente qualidade.

Por detrás desta linha de areia existem as dunas e falésias da costa vicentina, que são protegidas pelas autoridades, não sendo possível circular com veículos nas dunas, pois existem algumas espécies de arbustos raros.
Neste local existe um parque de campismo, pertença do Clube de Campismo de Lisboa, e algumas pessoas locais que alugam casas para fins-de-semana e férias. O parque de campismo dispõe de excelentes condições no que à prática do campismo diz respeito. Conta com um restaurante, um talho, um supermercado, uma peixaria e uma papelaria para que em termos de conforto todos estejam bem servidos. No Verão, ao fim de semana, é sempre animado com os tradicionais bailaricos, e também com várias actividades desportivas desenvolvidas pela juventude sempre presente no parque.

Conta ainda com um centro equestre.



Existem também, na praia, vários restaurantes, bastante acolhedores, um bar, o "Lança", que é animado com sessões de karaoke todas as noites no Verão, e a tasca do "Ti Toino", que é frequentada por todo o tipo de pessoas e etnias, desde estrangeiros de todas as nacionalidades, até aos surfistas portugueses.
Para além da magia que está sempre presente por o bar ser na praia e de vez em quando fazerem festas de arromba que terminam com cantorias pela praia fora.
O acesso à praia é fácil, não existe ainda o stress do estacionamento, nem do trânsito interminável que há noutras regiões, mesmo no Alentejo.


No Inverno, e devido ao pinhal que existe em Melides, a calma é quase inimaginável assim como a praia deserta, dá uma sensação de paz que só visto, ouvir as ondas do mar, ver as gaivotas a voar, é lindo…
A areia é branquinha e não é muito fina, tendo a vantagem de se conseguir sacudir facilmente sem levar quilos para casa.


Para encontrar a Praia de Melides não é difícil.
Vindo de Lisboa, apanha a Auto-estrada do Sul (A2), saindo em Grândola para o Itinerário Complementar nº33 (IC33).
Depois de subir a Serra de Grândola, um Quilometro à frente existe um cruzamento que diz Melides (EN 261-2) que vai dar à Aldeia de Melides. No largo de Melides encontra várias direcções. Seguindo em frente e depois de deixar a Aldeia, depara-se com um cruzamento, virando à esquerda (EN 261).
Depois de andar uns 2 Kms encontra um cruzamento à direita que diz Lagoa de Melides, vira e indo sempre em frente está na Praia.
Se quiser fazer um passeio mais turístico, pode sempre, vindo de Lisboa, apanhar o ferry-boat em Setúbal, para Tróia. Saindo do ferry, anda uns 20 kms até encontrar uma placa a dizer Melides, onde vai virar à direita, e seguir em frente mais uns 15 kms até chegar à aldeia.

Aconselho-vos então a visitarem esta fantástica localidade do NOSSO PORTUGAL. Seja de Verão ou de Inverno, Melides tem muito a oferecer aos seus visitantes.

domingo, outubro 03, 2004

Cercal - Baixo ALentejo


«Próximo da costa, a meio caminho entre Santiago do Cacém e Odemira, Cercal do Alentejo é uma pequena freguesia com apenas 4 000 populares. A sua denominação deriva do latim quercalu (carvalho), já que existem diversos exemplares desta árvores nesta região alentejana. A visitar: Do século XVII, a Igreja Matriz do Cercal do Alentejo tem um interior impressionante com esculturas e outros artigos de interesse.Nos arredores: Uma pequena viagem a sudoeste e chega-se a Vila Nova de Milfontes, uma localidade atractiva junto ao rio Mira. O seu porto, o imponente castelo imponente (agora uma unidade hoteleira) serviram como um posto de vigia para os piratas que se arriscaram pela costa alentejana.»



Começo por aqui.
A razão é muito especial.
Hoje é uma vila, mas era uma pequena aldeia que viu o meu pai nascer.
80 anos depois ele despediu-se. Partiu deste mundo.
A terra ficou para o recordar.
Não é a sua proximidade com pontos turísticos que interessa, mas a sua proximidade com as gentes de bom coração.
Pessoas simples, de trato fácil e de sorriso enternecido e envelhecido pelos anos.
Quando se entra no Cercal pela estrada de Sines ou de Santiago do Cacém, esta última capital do concelho, deparamo-nos á entrada do Cercal, logo após o Pontão e a estrada para a Pouca Farinha, com a loja do Godinho. Anteriormente sita do lado esquerdo da estrada, tem agora outra loja em frente a essa. Prosperou graças à enorme labuta de uma vida, dele e da esposa.
Foi empregado de meu pai em miúdo e com ele aprendeu a lidar com as peles e cabedais.
Um pouco mais à frente e do lado esquerdo, a entrada para a rua onde o meu pai viveu: Rua Velha. Do lado direito, o caminho para a Igreja.
Continuemos em frente.
Passamos agora pelo café do Manel - Pancadinha. Belas tardes que passei aí, na minha adolescência.
Mais abaixo, do lado direito a Casa do Povo do Cercal do Alentejo.
São tantas as memórias que tenho desse local. Infância, adolescência...
Hoje, é um Centro de Dia para idosos.
E eis que nos encontramos no Largo dos Caeiros, o centro: onde tudo acontece e onde vão desembocar todos os caminhos.
Cafés para todos os gostos, pastelaria, restaurantes.
À direita o caminho para V. N. de Milfontes, à esquerda Colos, Aljezur, Algarve, em frente Odemira, Algarve.

Mas, e as pessoas? Ah, as pessoas. Que sempre me encantaram.
Não deixem de conhecer esta pequena vila e no Largo dos Caeiros sentem-se numa das esplanadas a ouvir os cantos que se ouvem aqui e além.
Vozes alentejanas que se erguem.

Deixo-vos ainda aqui uma lenda de que oiço falar desde miúda: a Lenda da Mandorelha.

Casa das Heras

«Existe ainda hoje a casa denominada a “casa das heras” que segundo se diz, antigamente funcionava como uma espécie de cativeiro. Tinha uma enorme porta em ferro e uma abertura para um outro lado onde, noutros tempos, existia uma espécie de queda de água revolta, e que hoje não passa de um pequeno curso de água calma. Mas, a lenda diz-nos que uma rapariga foi presa na “casa das heras” tendo o seu pai lançado a chave para a queda de água, sendo este o sinal que a rapariga jamais sairia de lá com vida. Nos primeiros tempos de cativeiro ouvia-se a rapariga cantar e via-se pentear junto à abertura que dava para as águas revoltas e os campos verdejantes. Depois calou-se e não deu mais sinal de vida. Muitos anos depois alguém conseguiu entrar na casa e a única coisa que viu foi o chão gasto pela rapariga, de tanto andar o mesmo percurso. Tentou então encontrar alguns vestígios da falecida, mas nada viu. E não soube se ela escavou a sua própria cova ou se se atirou às águas. Apenas se sabe que a partir daí, num certo dia do ano, a rapariga aparece à janela, a pentear-se com um pente de ouro.»
in Cercal do Alentejo

sábado, agosto 28, 2004

Cidade do Porto - Origens (cividade)

Devido a pesquisas empreendidas e a achados arqueológicos, nomeadamente pelos Drs Rui de Serpa Pinto, Mendes Corrêa, Frederico de Vasconcelos, Dias Gaspar, Santos Júnior, entre outros, foi possível estabelecer para a região portuense a cultura denominada "asturiana", com uma antiguidade de 4 a 5 mil anos pelo menos.

Foram encontrados instrumentos líticos na zona ocidental, perto do oceano, na Ervilha, Nevogilde, S. João da Foz, Castelo do Queijo e Boa Nova.

Mais recentes na antiguidade, são de mencionar monumentos sepulcrais megalíticos e vestígios de povoações castrejas, em S. Gens, Guifões, S. Pedro Fins, Gondomar, etc, assim como numerosos espécimes de cerâmica primitiva e mesmo artefactos em bronze.

Por outro lado, a toponímia, tanto localmente empregada como revelada documentalmente, tem permitido mostrar centros de vida humana pré-histórica, quer pelas denominações de monumentos, Mamoas e Antas, quer pelas de povoações Castro, Castrilho, Cividade, etc.

O topónimo Cividade adquiriu notoriedade desde que o Prof. Mendes Corrêa, baseando-se em documentação dos séc. XIV e XVII, localizou no alto do chamado Corpo da Guarda (nos cimos de um outeiro vizinho da margem setentrional do rio Douro), a remota existência duma povoação indígena.

Nesses documentos aludia-se "a uma casa da cividade", ou a umas almoínhas "de sob a cividade", ou ao "chafariz da cividade", ou mesmo "viela que vai da travessa do souto para a cividade de sobre os pelames" (tanto a Travessa do Souto como a Rua dos Pelames ainda existem na topografia portuense), entre muitos outros.

As referências documentais e outros indícios levaram o distinto Prof, a crer que a cividade se situava desde a actual estação ferroviária de S. Bento até ao morro do largo do Corpo da Guarda, localização confirmada quando, para abertura de uma avenida, foram demolidos edifícios e se procederam a escavações.

Foram encontrados instrumentos de silex, alfinetes de cabeça e fragmentos de fíbulas de bronze, bem como numerosos restos de cerâmica tipicamente castreja, com ou sem ornamentações, e dois trechos de velhos muros que, quer pelas características da sua construção, quer pela sobreposição em dois níveis, crê-se serem restos duma dupla cerca castreja, análoga à de outros castros.

Através da arqueologia se pôde estabelecer a antiguidade desta bela e antiga cidade.

sexta-feira, agosto 27, 2004

Cidade do Porto (Origens)

Esta bela cidade, cujas origens remontam a uma antiguidade de 4 ou 5 mil anos, debruça-se sobre o Rio Douro e é beijada pelo Atlântico.

Nasceu nos morros da proximidade da Sé.
No século IV, durante a ocupação romana e devido à Pax Romana, foi construída uma estrada que ligava Lisboa a Braga.
No seu trajecto, esta via passava pelo curso terminal do Rio Douro e, para norte dele, o primeiro troço vial correria pelo vale do Rio da Vila (ribeiro hoje encanado) desde cerca da Sé, até ao seu desaguadouro na zona da Ribeira, tornando-se este o local priviligiado para a fixação romana.

Aparece, então, a palavra Cale (estação), comum a ambas as margens , designando os pontos, um a norte outro a sul, do Rio Douro, onde se faziam o embarque e desembarque de viajantes e mercadorias em trânsito.

Portus (portorium) era um antigo imposto de travessia, cobrado na Cale.
Daí o aparecimento de Portucale que viria a ser só a povoação da margem direita do Douro, núcleo da futura cidade do Porto.

Uma das mais antigas cidades do País, berço do Infante D. Henrique e de muitas ilustres personalidades, desempenhou sempre um papel importante ao longo da nossa História.

terça-feira, agosto 24, 2004

Gentes

O nosso Portugal pequenino, no cantinho ocidental da Europa, banhado pelo Atlântico, é duma beleza ímpar.
Do norte ao sul, nas ilhas dos Açores e da Madeira, deparam-se-nos culturas diferentes, desde a alimentação à vivência, passando pelo sotaque característico de cada região, mas unidos num todo que é a nossa nacionalidade.
País de grandiosos monumentos elucidativos dum passado glorioso, de marinheiros, descobridores d'além-mar, de poetas, escritores, cientistas e de gente simples, simpática e de brandos costumes.
País do Fado e da Saudade.



Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Letra de: Pedro Homem de Melo
Cantado: Amália Rodrigues

O Teatro

O teatro em Portugal sempre teve grande expressão, através dos mais variados géneros, seja ele drama, comédia, musical ou de revista.
Desde Gil Vicente, que foi o primeiro autor de comédia português, que o teatro evoluiu astronomicamente, até atingir o elevado patamar com que as várias companhias teatrais nos presenteiam durante largos meses que as peças se mantêm em cena.
Muitas companhias tentam sobreviver, com escassos apoios do estado português, vivendo de receitas de bilheteira, patrocínios, ou sendo até mesmo os próprios actores a dar dinheiro para que se possam encenar os projectos em que se empenham.
Neste momento, e apesar de o mundo teatral estar concentrado nas duas grandes metrópoles, existem várias companhias itenerantes que percorrem todo o país, para levar ao povo, o que o povo não tem hipótese de ver, sem ser na televisão, o que convém dizer não é a mesma coisa.
Como expoente máximo do mundo teatral, neste momento no nosso país, temos o encenador Filipe La Féria, que sem subsídios do estado tem mantido o seu teatro Politeama aberto e com peças de grande qualidade, desde que encenou "Amália", que esteve mais de dois anos em cena, até começar agora com uma nova peça, "A Rainha do ferro velho", que tem como protagonistas, Maria João Abreu e José Raposo.
A mim, pessoalmente, muito me dói ver o Parque Mayer tão degradado. Tantos actores que por ali passaram, na luta contra o regime da censura, e que se fossem vivos neste momento deitavam as mãos à cabeça, por verem um sítio tão adorado, e com grandes salas de teatro, da maneira que está. O caso mais escandalizante, torna-se obrigatoriamente, o Capitólio, que considerado monumento nacional, apresenta uma fachada em riscos de ruir. Todavia, e no Parque Mayer, o Teatro Maria Vitória, tem sido um oásis, nas falsas promessas de reconstrução do Parque, pois a cada época que passa apresenta sempre uma peça de revista de grande qualidade e com actores conhecidos do nosso quotidiano, por estarmos habituados a vê-los diariamente na televisão. Falo mais afincadamente deste tipo de teatro, porque desde pequeno que lido com este mundo do teatro musicado de comédia, que é o teatro de revista.
Portugal, é um país com grandes raízes teatrais na sua história. Eu pessoalmente luto quase todos os dias para que este nosso país possa ser engrandecido nos palcos por essa estrada fora. É difícil, mas sem gosto nada se faz.
E como se diz na gíria teatral, perdoem-me o termo, desejo para todos os que gostam da arte de representação e que lutam por mantê-la viva, muita merda, para esta batalha que se torna cada vez mais árdua. A de manter as nossas salas cheias.
Um grande bem hajam.

sábado, agosto 21, 2004

Portugal

Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abundância, amor, concórdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torreão de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento,
grimpas de catedrais, zimbórios de convento,
campanários de igreja humilde, erguendo à luz,
num abraço infinito, os dois braços da cruz!
E ele, o herói imortal duma empresa tamanha,
em seu tuguriozinho alegre na montanha
simples vivia – paz grandiosa, augusta e mansa! -,
sob o burel o arnês, junto do arado a lança.
Ao pálido esplendor do ocaso na arribana,
di-lo-íeis, sentado à porta da choupana,
ermitão misterioso, extático vidente,
olhos no mar, a olhar sonambolicamente...
«Águas sem fim! Ondas sem fim! Que mundos novos
de estranhas plantas e animais, de estranhos povos,
ilhas verdes além... para além dessa bruma,
diademadas de aurora, embaladas de espuma!
Oh, quem fora, através de ventos e procelas,
numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas,
a demandar as ilhas de oiro fulgurantes,
onde sonham anões, onde vivem gigantes,
onde há topázios e esmeraldas a granel,
noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!»
E cismava, e cismava... As nuvens eram frotas,
navegando em silêncio a paragens ignotas...
– «Ir com elas...Fugir...Fugir!...» Ûa manhã,
louco, machado em punho, a golpes de titã,
abateu, impiedoso, o roble familiar,
há mil anos guardando o colmo do seu lar.
Fez do tronco num dia uma barca veleira,
um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira...
Manhã de heróis... levantou ferro... e, visionário,
sobre as águas de Deus foi cumprir seu fadário.
Multidões acudindo ululavam de espanto.
Velhos de barbas centenárias, rosto em pranto,
braços hirtos de dor, chamavam-no... Jamais!
Não voltaria mais! Oh! Jamais! Nunca mais!
E a barquinha, galgando a vastidão imensa,
ia como encantada e levada suspensa
para a quimera astral, a músicas de Orfeus:
o seu rumo era a luz; seu piloto era Deus!
Anos depois, volvia à mesma praia enfim
uma galera de oiro e ébano e marfim,
atulhando, a estoirar, o profundo porão
diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!

Pátria

Guerra Junqueiro


quarta-feira, agosto 18, 2004

O Meu País




A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.

"Os Castelos" In Mensagem, Fernando Pessoa